Há exatamente um ano, os fortalezenses passaram a conviver com uma nova modalidade de Segurança Pública. Os policiais militares do Programa Ronda do Quarteirão chegavam às ruas. Junto com eles, entrava em execução o carro-chefe da campanha eleitoral do governador Cid Gomes. Desde a implantação do programa, em 21 de novembro de 2007, até o último dia 12, foram efetuadas pelos novos PMs 3.533 prisões, resultando em flagrantes ou Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO).
Neste mesmo período, as patrulhas do Ronda conseguiram fazer a apreensão de 883 armas de fogo, a maioria, revólveres encontrados em poder de assaltantes.
Recebida com certa descrença pela população, a experiência foi ganhando, aos poucos, a confiança dos fortalezenses. Um ano se passou e o projeto ampliou seu raio de ação. Primeiro foi Fortaleza. Depois, chegou a Caucaia e Maracanaú, na Região Metropolitana.
Números
A coordenação do Ronda do Quarteirão afirma que ainda não dispõe de um apanhado geral da estatística da criminalidade nas áreas beneficiadas pelo programa, mas sustenta ter havido uma redução nos índices de crimes contra a vida (homicídios e tentativas de assassinato) e contra o patrimônio (assaltos e furtos).
Hoje, o programa conta com 1.537 militares. Desse total, 59 por cento são novos policiais e 41 por cento PMs veteranos. Para o trabalho diário são utilizadas 122 viaturas (Hilux) e 132 motopatrulhas.
A promessa do Governo do Estado era de que, até o fim deste ano, o programa chegasse aos outros dez Municípios restantes na Região Metropolitana de Fortaleza.
Outra promessa é de que, até o fim de 2009, o programa se estenda a oito cidades do Interior: Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Crateús, Sobral, Iguatu, Itapipoca e Canindé.
Conforme o coordenador do programa, coronel PM Joel Costa Brasil, o governo do Estado ainda quer levar o Ronda a todos os Municípios cearenses com mais de 50 mil habitantes. Para isso, segundo ele, deverão ser contratados mais dois mil policiais, através de concurso público.
“O Ronda do Quarteirão não são apenas viaturas e policiais bem fardados e equipados. A motivação dos policiais envolvidos é que tem resultado no sucesso do programa, com o apoio das comunidades. As pessoas que trabalham e as que são atendidas prontamente é que fazem o êxito do serviço”, afirma o militar.
Críticas
Antes de o projeto ser implantado, o governo estadual enfrentou severas críticas da oposição na Assembléia Legislativa, por conta dos altos valores empregados na aquisição das viaturas. Caminhonetes importadas, custando cada uma delas a quantia de R$ 150 mil, tiveram ainda que ser dotadas de equipamentos que, até agora, não tiveram nenhuma eficiência comprovada, como as câmeras instaladas nos veículos, que filmam mas não gravam as imagens das ocorrências.
Outra falha de planejamento no programa, apontada pelos críticos, foi a aquisição de motocicletas potentes que seriam utilizadas em apoio às patrulhas nas caminhonetes. Subutilizadas, as motos - modelo Falcon - acabaram sofrendo problemas mecânicos e tiveram que ser - todas - recolhidas para reparos mecânicos.
Em um ano, o Ronda também acabou sendo motivo de um incidente disciplinar, quando dois soldados terminaram sendo presos depois de um bate-boca com dois oficiais (majores) que estavam em um bar e foram acusados de colocar o som de seus veículos em alto volume. Os soldados Cristiano Castro e Robson Randaw foram presos e recolhidos ao Presídio Militar, depois de terem discutido com os majores Júlio César Passos Pereira e Carlos Passos. O incidente foi parar no Comando-Geral da PM, que determinou a instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM).
Assassinado
Outro fato que abalou a corporação foi o assassinato do soldado PM Carlos Henrique de Carvalho Lima, 24, recém-aprovado para o Ronda. Ele foi morto, a tiros, por assaltantes, logo no seu primeiro dia de trabalho.
MUDANÇA
Motopatrulhas deixam de acompanhar as caminhonetes
Depois de um ano de funcionamento, o Programa Ronda do Quarteirão sofre sua primeira grande mudança. O objetivo, segundo seu comandante, é a melhoria do atendimento prestado à população no âmbito da segurança pública.
A nova forma de atuação do Ronda do Quarteirão envolve diretamente os motopatrulheiros do programa. Agora, eles atuam em duplas, separados das viaturas, que passam a funcionar como referência e apoio. E já estão nas ruas, em 21 comunidades. Os motopatrulheiros reforçaram as ações de policiamento ostensivo e preventivo, desde o último dia 10, em bairros de Fortaleza e na Região Metropolitana.
Antes, os motopatrulheiros atuavam junto às viaturas. A relação era de uma motocicleta para cada viatura do Ronda do Quarteirão. Na nova modalidade de ação, duplas de policiais militares em motos ampliam o policiamento comunitário.
Recolhidas
Inicialmente, os motopatrulheiros estão atuando em 21 comunidades de Fortaleza e da Região Metropolitana, escolhidas com base em três critérios. Foram eles: densidade demográfica, demanda de ocorrências policiais e a tipicidade dos crimes registrados. Dentre as áreas contempladas, inicialmente, estão o Conjunto Ceará, Bom Jardim, Pirambu, Montese, Jereissati I e Pajuçara, além do Centro.
As motos do Ronda do Quarteirão estavam recolhidas desde setembro passado.
PROTAGONISTAS
Coordenador ressalta objetivos do programa
Cel. PM Joel Costa Brasil
O secretário executivo da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), coronel PM Joel Costa Brasil, é coordenador do Ronda do Quarteirão. Ele diz que o programa atingiu seus objetivos e ressalta que os PMs destacados para uma determinada área permanecem junto à mesma comunidade para criar uma relação de confiança. ´O objetivo é interagir e zelar pela segurança´.